Wednesday, December 11, 2013

Andrielle Stein - Capítulo V

V


A espera infinita nas esteiras para pegar toda sua bagagem finalmente chegara ao fim. Andrielle e Gabriela se dirigiam à saída para encontrar Lúcia.
Ao avistar a neta e a filha, Lúcia não conteve as lágrimas. A última vez que as vira, Andrielle ainda tinha nove anos.
Gabriela saiu correndo, deixando o carrinho com suas malas no meio do caminho, que Andrielle pegou e continuou empurrando, enquanto sua mãe corria e abraçava sua avó. Ao ver as duas chorando e se abraçando ela viu o quanto uma sentia saudades da outra.
Ela parou ao lado das duas com os carrinhos e esperou até que elas se desgrudassem e então foi sua vez de ser abraçada por sua avó. Mesmo fazendo tanto tempo que não a via, o abraço era tão familiar, tão gostoso que ela não conteve o choro. Ela chorava por estar revendo a avó, por ter deixado sua vida no Brasil, por não poder mais ver a Nathy e o Fê.
- Vale, vale hija mía. No llores más. Ahora estás aquí y todo se va a arreglar.[1]
- Eu sei Abu. Eu sei. Como a senhora está?
- Estou muito bem! Vamos, a viagem de carro vai ser longa.
No carro, Andrielle observava a paisagem se transformar conforme ia deixando a cidade.
Uma hora e quarenta minutos depois elas chegaram na casa de Lúcia. A casa continuava do mesmo jeito que se lembrava. Um sobrado de dois andares, todo em tijolos vermelhos, com um grande jardim que circundava a casa. As várias flores agora estavam cobertas pela neve.
- Você não mudou absolutamente nada na casa mãe.
- Aqui fora não, gosto das minhas plantas, na primavera e no verão a casa fica tão linda. Mas lá dentro, bueno, mudei algumas coisas. Uma delas Dri, é que tenho Wi-Fi! Tenho certeza que você vai saber aproveitar muito bem.
- Muito obrigada Abu! Assim que levarmos tudo lá pra dentro vou ligar pra Nathy, avisando que chegue e estou viva.
- Não se preocupe, pode entrar que sua mãe e eu levamos as malas. Vai hija, vai!
Andrielle olhou para mãe que assentiu com a cabeça. Então ela só levou a mala que trouxe dentro do avião e foi direto para dentro da casa onde estava mais quentinho.
- E agora mamá?
- Y ahora que tenemos que aguardar hija.[2]
- Eu estou preocupada com a Dri mãe. Por que agora? Por que ir embora não funcionou?
- Eu já tinha te avisado que se tivesse que ser, a distancia não iria mudar em nada a realidade.
- Quando você ficou sabendo?
- No dia em que te liguei hija.
- Ela está tão decepcionada, por ter deixado os amigos e a escola, a festa de 15 anos dela já estava toda programada e ela já tinha tudo planejado. Me corta o coração vê-la se fazendo de forte e fingindo que deixar tudo para trás não é nada de mais, sempre sorrindo para que eu não me sinta tão mal com a situação.
- Como nossas filhas são parecidas, não?!
- Ahí mamá!
- Beuno, vamos para dentro porque está ficando muito frio aqui fora e voltou a nevar e vocês devem estar com fome. Vámonos hija![3]


- DRI!!!
- NATHY!!!
- Me conta! Como foi a viagem de avião? Como tá o clima ai? Tô vendo aqui pela net que tá a maior friaca ai!
- Acabei de chegar na casa da Abu e começou a nevar! A viagem foi tranquila, demorou porque fizemos duas escalas. Tô morrendo de fome pra dizer a verdade. E morrendo de curiosidade pra abrir os presentes que vocês me deram! Muito mancada sua só me entregar os presentes ontem, dentro de uma mala, pra eu trazer e não me contar o que tem e nem me deixar dar uma espiadinha.
- Agora que você já chegou você já pode ver! E você vai gostar muito eu garanto. Dentro do bauzinho de madeira tem um presente de todo mundo, deu um trabalhão pra montar, mas você vai gostar!
Junto a imagem de Adrielle se juntam sua avó e sua mãe.
- Oi Tia Gabi! Oi dona Lúcia!
- Por Dios Nathália! Já te disse para não me chamar de dona! Ou me chama de Lúcia ou de Abu, como a Dri, porque não gosto do título “abuela”. Me sinto muito nova por dentro e por fora para isso!
- Desculpa Abu. É força do habito e culpa da minha mãe! Pode brigar com ela!
- Agora que as mocinhas já se falaram um pouco, vamos jantar Dri. Sua avó disse que já deixou um monte de coisa pronta para nos jantarmos e por melhor que fosse a comida desse avião, nada se compara a comida dela. Beijos grandes para você Nathy e daqui umas três horas a Dri liga o computador para vocês continuarem se falando.
- Tia, só mais um pouquinho! Por favor!
- É mãe só mais um pouquinho, eu juro que já saio do Skype!
- Vale, vale! Vou terminar de colocar a comida na mesa com a sua mãe e quando terminar te chamamos e você vem comer, está bem?
- Gracias Abu! – Andrielle deu um abraço em sua avó e voltou sua atenção para o celular
- É! Valeu Abu! – Gritou Nathalia.



[1] Vale, vale hija mía. No llores más. Ahora estás aquí y todo se va a arreglar. = Pronto, pronto minha filha. Não chore mais. Agora você está aqui e tudo vai se ajeitar.
[2] Y ahora que tenemos que aguardar hija. = E agora que temos que aguardar mina filha.
[3] Vámonos hija! = Vamos filha!

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