V
A espera infinita nas esteiras para pegar toda sua bagagem
finalmente chegara ao fim. Andrielle e Gabriela se dirigiam à saída para
encontrar Lúcia.
Ao avistar a neta e a filha, Lúcia não conteve as
lágrimas. A última vez que as vira, Andrielle ainda tinha nove anos.
Gabriela saiu correndo, deixando o carrinho com suas malas
no meio do caminho, que Andrielle pegou e continuou empurrando, enquanto sua
mãe corria e abraçava sua avó. Ao ver as duas chorando e se abraçando ela viu o
quanto uma sentia saudades da outra.
Ela parou ao lado das duas com os carrinhos e esperou até
que elas se desgrudassem e então foi sua vez de ser abraçada por sua avó. Mesmo
fazendo tanto tempo que não a via, o abraço era tão familiar, tão gostoso que
ela não conteve o choro. Ela chorava por estar revendo a avó, por ter deixado
sua vida no Brasil, por não poder mais ver a Nathy e o Fê.
-
Vale, vale hija mía. No llores más. Ahora estás aquí y todo se va a arreglar.[1]
- Eu sei Abu. Eu sei. Como a senhora está?
- Estou muito bem! Vamos, a viagem de carro vai ser longa.
No carro, Andrielle observava a paisagem se transformar
conforme ia deixando a cidade.
Uma hora e quarenta minutos depois elas chegaram na casa
de Lúcia. A casa continuava do mesmo jeito que se lembrava. Um sobrado de dois
andares, todo em tijolos vermelhos, com um grande jardim que circundava a casa.
As várias flores agora estavam cobertas pela neve.
- Você não mudou absolutamente nada na casa mãe.
- Aqui fora não, gosto das minhas plantas, na primavera e
no verão a casa fica tão linda. Mas lá dentro, bueno, mudei algumas coisas. Uma delas Dri, é que tenho Wi-Fi!
Tenho certeza que você vai saber aproveitar muito bem.
- Muito obrigada Abu! Assim que levarmos tudo lá pra
dentro vou ligar pra Nathy, avisando que chegue e estou viva.
- Não se preocupe, pode entrar que sua mãe e eu levamos as
malas. Vai hija, vai!
Andrielle olhou para mãe que assentiu com a cabeça. Então
ela só levou a mala que trouxe dentro do avião e foi direto para dentro da casa
onde estava mais quentinho.
- E
agora mamá?
- Y
ahora que tenemos que aguardar hija.[2]
- Eu estou preocupada com a Dri mãe. Por que agora? Por
que ir embora não funcionou?
- Eu já tinha te avisado que se tivesse que ser, a
distancia não iria mudar em nada a realidade.
- Quando você ficou sabendo?
- No dia em que te liguei hija.
- Ela está tão decepcionada, por ter deixado os amigos e a
escola, a festa de 15 anos dela já estava toda programada e ela já tinha tudo
planejado. Me corta o coração vê-la se fazendo de forte e fingindo que deixar
tudo para trás não é nada de mais, sempre sorrindo para que eu não me sinta tão
mal com a situação.
- Como nossas filhas são parecidas, não?!
- Ahí mamá!
- Beuno, vamos para dentro porque está ficando muito frio
aqui fora e voltou a nevar e vocês devem estar com fome. Vámonos hija![3]
- DRI!!!
- NATHY!!!
- Me conta! Como foi a viagem de avião? Como tá o clima
ai? Tô vendo aqui pela net que tá a maior friaca ai!
- Acabei de chegar na casa da Abu e começou a nevar! A
viagem foi tranquila, demorou porque fizemos duas escalas. Tô morrendo de fome
pra dizer a verdade. E morrendo de curiosidade pra abrir os presentes que vocês
me deram! Muito mancada sua só me entregar os presentes ontem, dentro de uma
mala, pra eu trazer e não me contar o que tem e nem me deixar dar uma
espiadinha.
- Agora que você já chegou você já pode ver! E você vai
gostar muito eu garanto. Dentro do bauzinho de madeira tem um presente de todo
mundo, deu um trabalhão pra montar, mas você vai gostar!
Junto a imagem de Adrielle se juntam sua avó e sua mãe.
- Oi Tia Gabi! Oi dona Lúcia!
- Por Dios Nathália! Já te disse para não me chamar de
dona! Ou me chama de Lúcia ou de Abu, como a Dri, porque não gosto do título
“abuela”. Me sinto muito nova por dentro e por fora para isso!
- Desculpa Abu. É força do habito e culpa da minha mãe!
Pode brigar com ela!
- Agora que as mocinhas já se falaram um pouco, vamos
jantar Dri. Sua avó disse que já deixou um monte de coisa pronta para nos
jantarmos e por melhor que fosse a comida desse avião, nada se compara a comida
dela. Beijos grandes para você Nathy e daqui umas três horas a Dri liga o
computador para vocês continuarem se falando.
- Tia, só mais um pouquinho! Por favor!
- É mãe só mais um pouquinho, eu juro que já saio do
Skype!
- Vale, vale! Vou terminar de colocar a comida na mesa com
a sua mãe e quando terminar te chamamos e você vem comer, está bem?
- Gracias Abu! – Andrielle deu um abraço em sua avó e
voltou sua atenção para o celular
- É! Valeu Abu! – Gritou Nathalia.
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