VI
Andrielle sentiu seu rosto ficando quente, suas mãos começaram
a suar e suas pernas bambearam. Ela só conseguia ficar brava consigo mesma por
estar tão nervosa.
Ela não sabe dizer exatamente quando foi que a Nathalia
saiu de perto dela para deixá-la a sós com Fernando. Assim que ele a avistou, Fernando
veio direto em sua direção.
- Oi Dri,
- Oi Fê.
- Você está linda!
- Obrigada. Você também!
“Você também? Você
também?” Não existe mais nada para ser dito além de “Você também?”. Andrielle
se repreendeu mentalmente.
- E obrigada por ter vindo.
- Meio atrasado, mas isso é culpa do cabeçudo do meu irmão
que esqueceu de colocar gasolina no carro. Precisamos esperar pelos meus pais,
para eles rebocarem a gente até um posto de gasolina.
Andrielle sorriu ao perceber que estava agradecida por ele
estar lá, ao mesmo tempo, se pudesse, bateria em Carlos por ser tão desatento,
viver no mundo da lua e quase tê-la feito ter uma crise de nervos.
- Você fica linda sorrindo Dri.
- Claro que não! – disse ela sem jeito ao ouvir o elogio.
- E mais ainda quando fica vermelha e sem graça. Quando vi
o evento da Nathy, dizendo que você estava indo embora, eu fiquei sem chão.
Você sempre esteve aqui, ao meu lado...
Ao sentir uma pontada em seu peito e a tristeza tomando
conta dela, ela baixa a cabeça e olha para o chão. Não consegue encará-lo por
sentir exatamente a mesma coisa que ele.
Ele coloca seus dedos sob o queixo dela, forçando-a a
olhar para ele.
Ela luta com seus sentimentos, aquele não é o momento para
chorar, não com ele todo lindo bem diante dela.
- Ei Dri, não fica triste. Esquece o que eu acabei de
dizer! Hoje é a sua noite de despedida e ela tem que ser perfeita. Vem comigo.
Ele a pega pela mão e eles saem pela porta lateral do
salão de festas.
- A Nathy pediu para que trouxéssemos um presente que te
fizesse lembrar de cada um de nós, mas não quero deixar o meu com os outros.
A noite está fresca, e eles caminham até um banco longe
dos postes de luz. Ao se sentar, Andrielle passa as mãos pelos braços. Um
vestido tomara que caia não é uma boa opção para o lado de fora do salão.
- Aqui, coloca minha jaqueta.
- Não precisa Fê.
- Para de ser boba, você está com frio. E a minha blusa é
de manga comprida.
Agradecida, ela aceita a jaqueta. O perfume dele a envolve
e por um instante ela se sente mais próxima a ele do que nunca se sentiu. Ao
abrir os olhos, ele está observando-a e a deixa sem jeito. Rapidamente ela pergunta:
- O que você queria me dizer Fê?
- Não é dizer, é dar. É o seu presente.
- Fê, não precisa se presente, já fiquei muito feliz por
você ter vindo.
- Dá licença. – Diz ele colocando o a mão no bolso de sua
jaqueta e tirando um pequeno embrulho. – Espero que você goste.
Ela pega o embrulho das mãos dele. Não importa o que seja,
ela já está muito feliz por ele ter se importado o suficiente para comprar um
presente para ela.
Ela tira o papel e abre a caixa quadrada. Dentro da caixa
há um colar de prata. A corrente é delicada e o pingente é uma rosa. Ela fica
olhando o colar.
- Fê, é lindo! Muito obrigada!
Ela o abraça e não consegue segurar as lágrimas que
escorrem por seu rosto.
Relutantemente, eles se desvencilham um dos braços do
outro. Ele limpa as lágrimas do rosto dela.
- Poxa, se eu soubesse que esse seria um presente tão
ruim, que te faria chorar, teria comprado outra coisa. – diz ele com um sorriso
meigo no rosto.
- Deixa de ser bobo. Eu amei o presente, parece a rosa que
a Fera tem guardada no castelo dele. E eu estou chorando de alegria pelo
presente, tristeza por ir embora, é tanta coisa ao mesmo tempo, que nem sei o
que estou sentindo.
- Vem cá, deixa eu colocar o colar em você.
Ela entrega o colar para ele. Ao tentar se virar, ele a
segura, mantendo-a de frente para ele. Ele se aproxima para fechar o colar. Ao
terminar, ele desliza uma das mãos para o queixo dela e o levanta um pouco, o
suficiente para conseguir beijá-la.
Finalmente, seu primeiro beijo. E o momento não poderia
ser mais mágico. Um presente lindo. Seu grande amor está ali com ela. Apenas a
lua e as estrelas de testemunhas. Ela se sente inundada por uma alegria sem
tamanho.
Ela não sabe quanto tempo durou o beijo. Foi eterno ao
mesmo tempo em que foi muito breve. Mas foi maravilhoso.
- E não parece, é a flor da Bela e a Fera. Comprei já faz
um tempo em um site gringo, só não tinha achado a oportunidade para lhe dar.
Você me lembra muito a Bela, o tempo todo lendo. Só me diz que eu não pareço o
Gaston. – diz ele rindo meio sem jeito.
- Fica tranquilo, o Gaston acabou de ir embora – ela se
lembra do Cassio e ri. - Você está mais para Fera depois que se apaixona pela
Bela.
Ao dizer isso ela fica vermelha. O pensamento dele
apaixonado por ela era fora da realidade e ao mesmo tempo que era muito bom.
- É realmente uma pena que eu tenha passado tempo demais
como Fera e demorado para me aproximar dessa Bela que sempre esteve aqui ao meu
lado.
Andrielle sentiu seu rosto ficar quente e corar enquanto
Fernando continuava:
- É incrível como sempre perdemos as oportunidades quando
elas estão ao nosso alcance. E o pior é que só me dei conta do quanto eu
realmente gostava de você agora que você está indo embora e não podemos fazer
nada.
Ele a puxa para perto de si e diz:
- Na verdade podemos.
Então ele a beija novamente.
O único desejo em sua mente era de que a noite ficasse
congelada ali, para sempre. Ela nos braços do Fernando, sem ter que pensar em
Europa ou em deixar tudo e todos.
Ela só queria poder ficar ali.
No comments:
Post a Comment