Tuesday, December 24, 2013

Andrielle Stein - Capítulo XII

XII

Na manhã seguinte, ao acordar, Gabriela tentou entender o que havia acontecido. Por que ela estava em sua cama e não ao lado de sua filha? Por que se sentia como se um enorme peso lhe houvesse sido tirado das costas? Por que se sentia tão calma, mesmo com tudo o que estava acontecendo?
Quando a verdade lhe acertou com todas as suas forças, ela se levantou da cama enraivecida com sua mãe. Como ela ousou? Como ela pode fazer tal coisa? A simples ideia de tal possibilidade deixou Gabriela doente de raiva.
- Como você se atreveu a fazer isso comigo? – Gritou Gabriela a plenos pulmões para sua mãe que estava na cozinha fazendo mais chá.
- Gabriela, foi necessário. Você estava muito nervosa e agitada e naquele estado você não podia ajudar a ninguém. Nem mesmo a sua própria filha!
- O que você fez comigo?
- Te mandei se acalmar e dormir. Apenas isso. Pode parar com esse drama desnecessário, vá tomar um banho que sua filha precisa de você. As minhas ervas estão acabando e preciso ir até a casa da Flora para buscar mais.
- Não ouse me tratar como se você fosse superior ou algo assim!
Lucia perdeu o ar paciente sob os berros da filha e gritou de volta:
- ¡Gabriela, por Dios Santísimo! Chega! A única coisa que estou tentando fazer desde que vi que sua filha seria uma de nós é te ajudar. Eu sei que ela pode morrer, por isso a trouxe para cá! Aqui posso cuidar dela! Será que você não entende que estou tão preocupada com a minha neta quanto você? Que tudo o que estou fazendo é tentar manter a calma enquanto você se desespera e me inferniza com esses seus ataques ridículos e descabidos? Você não é mais uma criança Gabriela! Haja como uma mulher, haja como uma mãe! A mãe que Andrielle precisa neste momento! Uma mulher forte que eu lutei a vida toda para criar.
Arfando, depois de pôr para fora toda sua raiva das atitudes infantis da filha e frustração pelo que sua neta estava passando, Lucia se recompôs e num tom mais ameno, mas muito serio disse:
- Agora vá tomar um banho. Quando terminar, pegue o chá, leve para o quarto e dê para a Andrielle um copo de hora em hora. Vou dar uma dose enquanto você toma banho. Agora vá.
Sem nem pensar em argumentar com a mãe, Gabriela deu meia volta e foi tomar banho.

***

- Uma Safira? – Perguntou Flora sem crer em seus ouvidos.
Lucia demorou quarenta minutos para chegar à casa da amiga.
- Quando ela me contou sobre o sonho dela, que ela estava se afogando, a primeira coisa que me veio a cabeça foi isso, mas logo desconsiderei a ideia. Uma Safira era uma ideia absurda. Mas depois de ontem, daquela luz azulada sobre ela, não tem como duvidar. Ela vai ser uma Safira a primeira depois de muito tempo em minha família.
- Não só na sua família Lucia. A última Safira que nasceu foi a Ágata e ela já tem setenta e quatro anos. Desde então, não temos o registro de mais nenhuma Safira.
- A Ágata foi a última? Não pode ser. Tanto tempo assim sem nenhuma Safira nascer.
- Sim, é! Ninguém sabe dizer o porquê, mas elas simplesmente deixaram de nascer, até agora pelo menos.
- E eu preciso da sua ajuda para garantir que minha neta sobreviva. As crises estão piorando e a Gabriela está desesperada, não posso culpá-la.
- Fique tranquila, tenho aqui o que você precisa no estoque. Acho que isso dá para duas semanas, mas se precisar de mais me avise.
Flora entregou um saco com as mais variadas ervas e plantas para Lucia.
- Mas aqui não tem só as que eu preciso para fazer o chá da Dri.
- Claro que não. Você nunca leva só o que precisa para o momento. Não sei por que toda vez é a mesma coisa com você Lucia.
As amigas riram, mas a riso deixou seus rostos rapidamente.
As coisas para Andrielle estavam realmente mais difíceis do que costumavam ser. A quantidade de ervas e chá que ela estava consumindo eram muito altas. Lucia nunca vira nada igual. Por mais que tentasse acalmar a filha, ela mesma estava começando a se preocupar com neta.
- Lucia, minha amiga, a preocupação está em seu rosto e as próprias plantas estão sentindo isso. 
Ao dizer isso Flora olhou para as plantas que estavam murchando. Lucia olhou para elas e se concentrou para não deixar transparecer o que acontecia dentro de si. As plantas voltaram ao normal.
- Eu preciso me concentrar mais, apenas isso.
- Se precisar de qualquer coisa, me avise. Vou conversar com outras Esmeraldas para ver o que podemos fazer, se mais alguém desenvolveu alguma outra combinação mais potente do que a minha.
- Muito obrigada Flora. Agora eu preciso voltar. O chá que deixei pronto já deve estar no final.
- Vá minha amiga. E que as pedras marquem o seu caminho.


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