XI
Reunidas na cozinha após Andrielle ir para o quarto, Lucia
viu a preocupação estampada na no rosto da filha.
- Calma hija.
- Como você quer que eu fique calma mãe? A febre da Dri
voltou e está pior agora.
- É normal Gabriela, quantas vezes mais vou precisa te
dizer isso. Muito me espantou a febre ter cessado por quatro dias. Você deveria
ser mais forte do que isso. Te preparei desde pequena para esse momento. Você
acompanhou suas primas e algumas amigas, esperou a sua própria vez que até hoje
não sei por que não veio. Sabe muito bem como todo o processo funciona.
- Mãe, estamos falando da minha filha! Será que a senhora
não consegue entender? – O rosto tomado pelas lágrimas e o desespero aparente
em sua voz. – Não posso perder minha filha! Ela é a única coisa que me sobrou
além da senhora, depois que o Andrew se foi.
- Todas as mães passam pela mesma coisa que você está
passando agora. E você sabe que ele não se foi de verdade.
- O Andrew não vem ao caso agora, ele não está aqui para
me ajudar nesse momento. Nem a mim nem a filha dele! E eu não quero saber sobre
as outras mães e suas filhas! Eu estou preocupada com a minha filha!
- Se acalme Gabriela, você vai acordar a Andrielle.
- Se ela acordar eu já fico feliz, mas não posso ver minha
filha morrer mãe!
- Ela não vai morrer. Já te disse que estou cuidando
disso, acredite mais em mim e nas plantas.
Nesse momento elas ouviram um grito vindo do andar
superior e saíram correndo para o quarto de Andrielle.
Ao chegarem no quarto dela, Gabriela ficou estática na
porta bloqueando a entrada de sua mãe, que precisou empurrá-la para pode
entrar.
Andrielle estava emanava em uma luz azul. Lucia ficou
atônita. Em todos os seus anos nunca havia visto nada igual.
- Uma Safira! Minha neta é uma Safira. Faz tantos anos
desde a última vez que tivemos uma Safira em nossa família.
Após um longo momento de silêncio, elas foram trazidas de
volta a realidade quando Andrielle gritou novamente. Um grito de dor profundo e
se contorceu na cama.
- O chá Gabriela, vá buscar o chá para ela, rápido!
Na urgência de atender ao pedido da mãe, ela quase caiu
nas escodas. Correu até a cozinha, pegou o bule que ainda estava sobre o fogão
e um copo e subiu correndo em direção ao quarto da filha.
Lucia estava ajoelhada ao lado da cama da neta quando ela
teve um novo espasmo e gritou com a dor que o acompanhava. Gabriela tremia ao
colocar o chá no copo e entregá-lo para mãe que dizia alguma coisa que ela não
conseguia entender próximo ao ouvido de Andrielle enquanto mantinha uma das
mãos em sua cabeça e retirava a que estava em seu peito para pegar o copo.
Ela levantou a cabeça da neta e lhe deu um pouco do chá. A
princípio Andrielle se engasgou e começou a tossir o líquido. Na segunda
tentativa de Lucia, a menina conseguiu engolir o chá. Quando o primeiro copo
estava vazio foi possível ver o corpo dela, que a pouco estava rígido com os
espasmos e contrações, voltar ao normal.
- É melhor dar mais uns dois copos para ela. Assim ela
conseguirá dormir a noite toda.
Gabriela encheu novamente o copo e o entregou a sua mãe.
Ao final do terceiro copo Andriele já estava com uma aparência mais tranquila e
parecia dormir calmamente.
- Mãe, ela ainda está com febre. – Disse Gabriela ao se
aproximar e colocar a mão sobre a cabeça da filha que estava suada depois de
todo o sofrimento que passou.
- A febre só vai abandoná-la quando ela completar 15 anos.
E vamos ter que aumentar a frequência com que ela tomará o chá.
- Mais uma semana e meia assim eu vou enlouquecer. É muito
sofrimento ver minha filha passando por isso e eu não poder fazer alguma coisa.
E o pior é pensar que eu posso passar por tudo isso à toa. Que ela pode me
deixar no dia em que ela completar 15 anos. Eu não vou conseguir passar por
isso.
- Acredite um pouco mais na sua filha Gabriela!
- Ela é uma Safira! Você mesma disse. Uma Safira! E não
existem muitas delas por um único motivo: porque elas não sobrevivem! Por essa
razão que não temos uma em nossa família há gerações!
Gabriela estava histérica, gritando e chorando. O
desespero era aparente em seu rosto.
Lucia, penalizada por ver a filha assim, tomou uma decisão
muito difícil para ela. Levantando-se da cama da neta, foi até a filha, abraçou-a
e disse em seu ouvido:
- Acalme-se.
Gabriela entrou em transe e Lucia a conduziu até o seu
quarto. Colocou a filha na cama e sussurrou:
- Durma.
Deixou a filha deitada, que imediatamente caiu no sono e
voltou para o quarto da neta. Sentou-se na cadeira que havia lá, ligou o abajur
e começou a ler.
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