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Ao voltar para casa, Andrielle correu para o quarto e
ligou o computador. Queria muito falar com a Nathália e contar tudo o vira na
nova escola.
Não era uma escola grande como a que estudava no Brasil,
com pelo menos sete turmas de cada ano por período. Para dizer a verdade a
escola era bem menor se comparada a que ela estudara.
A construção era antiga, com prédios de no máximo quatro
andares, toda sua fachada em pedra, e janelas pequenas. Sua avó explicara que
as pedras ajudavam a manter o frio fora das construções no inverno que era
muito rigoroso e o mesmo se aplicava as janelas que quanto menores, menos frio
elas permitiam entrar.
Tinha um total de três prédios: o prédio principal
continha a direção, coordenação, secretaria, biblioteca, uma piscina olímpica
(que estava desligada por causo do inverno) e uma quadra coberta. Nos outros
dois prédios estavam as salas de aula, um prédio que no Brasil seria a Educação
Infantil e o Fundamental I e o outro que era o maior prédio dos três, com
quatro andares, para o Fundamental II e o Ensino Médio, ou seja, o prédio em
que ela estudaria.
A moça que apresentou a escola para elas falava muito
rápido e Andrielle não entendeu tudo o que ela disse, mas Gabriela sempre
traduzia quando via a cara de desespero da filha. Ainda que elas tivessem o
costume de falar em espanhol em casa, sua mãe falava mais pausadamente, para
ter certeza de que ela a compreenderia. Nesse momento Andrielle começou a rezar
para que seus professores e colegas fizessem o mesmo que sua mãe.
A escola era cercada por várias árvores, o que tornava o
local bem calmo e tranquilizador. Ainda que tudo estivesse branco pela neve,
ela ficou imaginando como seria aquela paisagem na primavera. E ela viu que
atrás dos três prédios havia um lago, que agora estava congelado e coberto pela
neve, mas que no verão deveria ser possível nadar nele.
Durante o tour
pela escola elas não entraram nos prédios onde as aulas estavam sendo
ministradas, apenas passaram na frente deles. Quando Andrielle disse que
gostaria de conhecer pelo menos o prédio em que estudaria, ela viu que sua mãe
e avó trocaram um olhar preocupado rapidamente e em seguida sua avó disse algo
que ela não compreendeu e todas se encaminharam para o prédio principal onde
sua Gabriela e Lucia se encarregaram de preencher uma pilha de papéis e
deixaram a menina esperando na recepção.
Enquanto esperava, ela começou a andar pela recepção e se
encaminhou para um armário com alguns troféus: vôlei, natação, balé, basquete,
futebol e competição de matemática entre outros. Mas o que chamou sua atenção
foi uma placa de madeira, pendurada na parede oposta a porta de entrada, com um
tipo de uma flor com três pétalas, cada uma delas de uma cor, uma vermelha, uma
verde e uma azul e no centro, onde as pétalas se uniam, havia um sol amarelo.
Logo abaixo ela leu a inscrição, gravada em uma placa de metal fixada à
madeira.
“Poderoso Rubí, rogamos para que nos traiga su protección y abra
nuestros corazones para las amistades y los amores.
A ti valerosa Esmeralda pedimos que permita que nuestras habilidades
sigan por generaciones, promueva el auto-conocimiento para que logremos el
equilibrio y la paciencia.
Virtuoso Zafiro, te pedimos a ti que nos des la paz y la felicidad,
permitiéndonos la comunicación, comprensión, intuición e inspiración.
Escucha nuestras oraciones y muéstranos el futuro.
Que las piedras marquen nuestro camino.”[1]
O texto fazia referencia as pedras preciosas que formavam
a flor. Andrielle achou estranho, mas muito bonito. Parecia até uma oração.
Enquanto ela apreciava a estranha flor de pedras, sua mãe
e sua avó saíram do escritório e elas voltaram para casa.
-Finalmente você ficou online! Estou aqui morrendo de
vontade de te contar sobre a escola. Fui visitá-la hoje.
- Você não está mais verde Dri.
- Ha-ha! Como você é sem graça Nathy. Mas sim estou
melhor, a febre passou. Parece que o chá estranho da Abu fez efeito, ou o vírus
foi embora mesmo.
- Depois de quase duas semanas, o mínimo era o vírus ir
embora né. Não contaminou mais ninguém por aí não?
- Não Nathy.
- Então me conta da escola, quando começam suas aulas?
Como é lá? O que você fez hoje? E os gatinhos? Quando eu chegar em julho você
vai ter que me apresentar todos.
- Minhas aulas começam quando minha papelada de
transferência chegar aqui. Lá é maravilho, vou te mandar as fotos que tirei. E
eu não fiz muita coisa, está tudo congelado e cheio de neve, nem mesmo o meu
prédio eu pude conhecer, ou seja, não vi nenhum gatinho lá hoje.
- Que sem graça! Por que você não conheceu o prédio em que
vai estudar?
- Quando eu pedi, minha mãe e a Abu fizeram uma cara de
susto, sei lá, e a Abu falou algo muito rápido e enrolado e eu não entendi,
deve ser algum dialeto espanhol que não aprendi e acabamos voltando para o
prédio principal e elas ficaram um tempão preenchendo papéis.
- Que estranho. Quem sabe elas não ficaram com medo de que
você contaminar os outros alunos!
- Já falei que eu não estou mais doente!
- Eu sei, mas gosto de te pentelhar mesmo assim. Você
ficou doente quase o tempo todo desde que chegou aí, não tinha nem forças pra
falar comigo no Skype. Pera ai Dri. – Nathália virou a cabeça para a porta e
gritou - Fala mãe!
Andréa estava gritando do andar de baixo da casa:
- Vem comer Nathália, sua comida está esfriando. Se eu te
chamar de novo, você vai ficar sem computador por uma semana.
- Mãe estou falando com a Dri.
- Ótimo, manda um beijo meu para ela e vem comer, depois
você volta.
Se voltando para a tela do computador novamente:
- Saco... Você ouviu né, tenho que ir.
- Manda um beijão para sua mãe também.
Nathália olhou de novo para porta e gritou:
- Mãe, a Dri mandou você lamber sabão!
Horrorizada com a amiga Andrielle exclamou:
- Nathy! Olha o que você vai falar pra sua mãe.
- Brincadeira mãe. Ela mandou um beijo. Estou indo Dri,
antes que eu fique incomunicável. Mais tarde eu volto.
- Até!
[1] Poderoso
Rubi, pedimos para que você nos traga sua proteção e abra nossos corações para
as amizades e os amores. A você valiosa Esmeralda, pedimos que permita que
nossas habilidades sigam por gerações, promova o autoconhecimento para que
consigamos obter o equilibro e a paciência. Virtuosa Safira te pedimos que no
dê a paz e a felicidade, permitindo-nos a comunicação, compreensão, intuição e
a inspiração. Escuta nossas orações e nos mostre o futuro. Que as pedras
marquem o nosso caminho.
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